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O Brasil registrou em 2025 a menor taxa de analfabetismo desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua Educação. Segundo dados divulgados nesta quinta-feira (19) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 4,9% da população com 15 anos ou mais não sabe ler nem escrever um bilhete simples, o equivalente a 8,4 milhões de brasileiros.
No Centro-Oeste, região que inclui Goiás, a taxa é menor que a média nacional e chegou a 3,3% em 2025. O índice coloca a região atrás apenas do Sul (2,4%) e do Sudeste (2,3%) entre as menores taxas de analfabetismo do país.
Apesar do avanço, os números mostram que o desafio permanece concentrado principalmente entre os idosos. Em todo o Brasil, 58% dos analfabetos têm 60 anos ou mais, grupo que reúne cerca de 4,9 milhões de pessoas. A taxa de analfabetismo nessa faixa etária é de 13,8%, muito acima da registrada entre pessoas de 15 a 59 anos, que ficou em 2,6%.
Segundo o IBGE, a redução observada ao longo dos últimos anos reflete o maior acesso das novas gerações à escola e aos processos de alfabetização na infância. Ainda assim, o país não atingiu a meta prevista pelo Plano Nacional de Educação (PNE), que previa a erradicação do analfabetismo até 2024.
Os dados também mostram diferenças importantes entre grupos da população. Entre pessoas pretas e pardas com 60 anos ou mais, a taxa de analfabetismo chega a 20,6%, quase três vezes superior à observada entre brancos da mesma faixa etária (7,3%).
Já entre homens e mulheres, o levantamento aponta uma mudança histórica. Pela primeira vez, a taxa de analfabetismo entre mulheres idosas ficou abaixo da registrada entre homens idosos: 13,7% contra 14,1%.
Outro dado que chama atenção é o abandono escolar. O Brasil tinha, em 2025, cerca de 7,7 milhões de jovens entre 14 e 29 anos que não concluíram o ensino médio. A principal razão apontada foi a necessidade de trabalhar, citada por 43% dos entrevistados.
O segundo motivo mais frequente foi a falta de interesse pelos estudos, mencionada por 25,6% dos jovens. Para os pesquisadores do IBGE, o crescimento desse indicador pode sinalizar um desalinhamento entre as expectativas da juventude e o modelo educacional atual.
Embora a taxa nacional tenha caído de 6,7% em 2016 para 4,9% em 2025, o IBGE destaca que a alfabetização de adultos e idosos continua sendo um dos principais desafios da educação brasileira. O cenário é mais favorável no Centro-Oeste, onde Goiás está inserido, mas os indicadores mostram que a desigualdade educacional ainda persiste entre diferentes faixas etárias, grupos raciais e níveis de renda.