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Operação investiga descontos indevidos em folhas de pagamento de servidores do DF

Ação do Ministério Público mira ex-gestores, o Banco de Brasília e a empresa PicPay por suspeitas de cobranças irregulares que geraram bloqueios judiciais milionários

Cleyber Carlos
Por: Cleyber Carlos
19/06/2026 às 09h33 Atualizada em 19/06/2026 às 11h00
Operação investiga descontos indevidos em folhas de pagamento de servidores do DF
Operação investiga descontos irregulares na folha de pagamento de servidores do DF — Foto: reprodução

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios deflagrou, na manhã desta sexta-feira (19), uma operação para apurar descontos indevidos nas folhas de pagamento de servidores públicos distritais. A ação cumpre 50 mandados de busca e apreensão em Brasília, São Paulo e Curitiba.

 

Entre os alvos da investigação estão o Banco de Brasília (BRB), a Secretaria de Economia do DF, o Instituto de Previdência dos Servidores do DF (Iprev), a empresa PicPay e a Associação dos Servidores Públicos do DF. A Justiça determinou o bloqueio de quase R$ 90 milhões em contas da PicPay e da associação.

 

Figuras centrais sob investigação

A lista de investigados inclui o ex-secretário de Economia do DF, Ney Ferraz; o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa — que já se encontra preso por outras razões — e o diretor do PicPay, Eduardo Chedid Simões. Até o momento, a operação não expediu ordens de prisão.

 

Segundo as investigações, o esquema teria sido viabilizado a partir de um decreto distrital editado em 2024. A estrutura permitia a realização de descontos nas folhas de pagamento sob o pretexto de taxas, que na realidade ocultariam a cobrança de juros.

 

"A companhia não reconhece qualquer irregularidade nas operações mencionadas e rejeita a alegação de cobrança indevida. Seus produtos e serviços são estruturados e ofertados em conformidade com as normas vigentes", afirmou o PicPay em nota oficial.

 

Crimes sob apuração

A apuração conduzida pelas autoridades aponta para uma série de delitos graves contra a administração pública e o consumidor. O Ministério Público investiga a prática de diversos crimes, entre eles:

  • Organização criminosa e lavagem de dinheiro

  • Corrupção ativa e passiva

  • Inserção e modificação de dados em sistemas da Administração Pública

  • Crimes contra a economia popular e publicidade enganosa

 

O foco das autoridades agora é a análise do material apreendido durante as buscas para identificar a extensão dos desvios e a participação detalhada de cada envolvido no esquema de cobranças.

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