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PF mira Cláudio Castro em nova fase de operação sobre Banco Master

Investigação apura aportes de R$ 3 bilhões do Rioprevidência em fundos ligados ao Banco Master; operação também envolve suspeitas de fraudes financeiras, corrupção e lavagem de dinheiro.

Redação
Por: Redação
26/05/2026 às 10h10 Atualizada em 01/06/2026 às 16h34
PF mira Cláudio Castro em nova fase de operação sobre Banco Master

O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro foi alvo, nesta terça-feira (26/5), da 8ª fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. A investigação apura aportes de cerca de R$ 3 bilhões em recursos públicos do estado em fundos ligados ao Banco Master.

Segundo a apuração, os recursos teriam partido do Rioprevidência, fundo responsável pela gestão dos benefícios de aproximadamente 235 mil aposentados e pensionistas do Rio de Janeiro. A suspeita é de que o dinheiro público tenha sido direcionado ao conglomerado ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro.

Nesta etapa, a Polícia Federal cumpriu dez mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e no Distrito Federal. As ordens foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.

A nova fase é tratada como desdobramento da Operação Barco de Papel, que já investigava investimentos considerados arriscados e incompatíveis com critérios de segurança financeira para fundos públicos. O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro havia apontado graves irregularidades nas operações e proibido novos investimentos ligados ao grupo Master.

Investigação começou em 2025

A Operação Compliance Zero foi deflagrada em novembro de 2025 para apurar um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras, corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução da Justiça envolvendo o Banco Master.

A primeira fase teve como principal alvo Daniel Vorcaro, presidente da instituição financeira. Ele foi preso no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, quando tentava embarcar para Dubai em um jato particular. Segundo Vorcaro, a viagem tinha como objetivo fechar a venda do banco.

Naquele momento, a PF investigava a emissão irregular de Certificados de Depósito Bancário, os CDBs. De acordo com os investigadores, o Banco Master prometia rendimentos até 40% acima da média do mercado, o que levantou suspeitas sobre a real cobertura dos títulos.

As autoridades estimaram um prejuízo potencial de até R$ 12 bilhões, incluindo investidores pessoas físicas atraídos pelas taxas oferecidas pela instituição.

Outras fases miraram familiares, políticos e agentes públicos

Em janeiro de 2026, a segunda fase da operação avançou sobre o patrimônio da família de Daniel Vorcaro. A Justiça autorizou buscas contra parentes do banqueiro e determinou o bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens e valores.

Nos meses seguintes, a investigação passou a mirar também suspeitas de intimidação, espionagem ilegal, invasão de sistemas e vazamentos de informações sigilosas. A PF identificou grupos que teriam atuado para monitorar autoridades, pressionar testemunhas, intimidar adversários e destruir provas.

A operação também alcançou integrantes da própria Polícia Federal. Em uma das fases, um policial federal foi preso sob suspeita de acessar bancos de dados sigilosos e repassar informações sobre viagens, passaportes e movimentações migratórias de pessoas monitoradas pelo grupo investigado.

Outra etapa mirou um perito criminal federal suspeito de vazar dados reservados da investigação. Ele teve as funções suspensas por decisão do STF.

Núcleo político também entrou na mira

A quinta fase da Compliance Zero atingiu o núcleo político do suposto esquema. O senador Ciro Nogueira, presidente do PP, foi alvo de mandados em endereços ligados a ele em Brasília e no Piauí.

Segundo a PF, o parlamentar teria recebido pagamentos mensais custeados por Daniel Vorcaro ou por empresas ligadas ao banqueiro. Os valores, de acordo com a investigação, variavam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil.

Em troca, os investigadores suspeitam que o senador teria atuado em favor de interesses do Banco Master por meio de uma proposta legislativa elaborada com participação da assessoria da instituição financeira.

Com a oitava fase, a investigação passa a concentrar esforços sobre a aplicação de recursos públicos do Rio de Janeiro no Banco Master. A Polícia Federal deve analisar documentos, registros financeiros e materiais apreendidos para apurar a participação de agentes públicos, políticos e executivos nas operações investigadas.

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