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Goiás soma 71 mil casos de trabalho infantil e Justiça alerta para exploração no ambiente digital

Estado é o oitavo com mais registros no país. Juíza destaca o impacto da informalidade e os novos riscos com a “glamourização” de crianças influenciadoras.

Cleyber Carlos
Por: Cleyber Carlos
12/06/2026 às 15h32
Goiás soma 71 mil casos de trabalho infantil e Justiça alerta para exploração no ambiente digital
Na região metropolitana de Goiânia, a informalidade é determinante para a ocorrência do trabalho infantil | Foto: Acervo Pessoal

O estado de Goiás contabiliza atualmente 71.337 crianças e adolescentes submetidos ao trabalho infantil. Os números são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PnadC) referente a 2024.

 

O volume de ocorrências coloca o estado na oitava posição nacional. Apenas a região metropolitana de Goiânia concentra mais de 15 mil desses registros, revelando um cenário de vulnerabilidade nos grandes centros urbanos.

 

Para a juíza Antônia Helena Taveira, gestora regional do Programa de Erradicação ao Trabalho Infantil, a pobreza e as condições socioeconômicas são os principais motores dessa realidade em todo o Brasil.

 

Raízes e informalidade

Em Goiás, o cenário possui características próprias devido à força do agronegócio. A magistrada destaca que a participação de menores é expressiva na pecuária e no funcionamento da economia familiar do interior.

 

Já na região metropolitana, o fator determinante para a exploração é a alta taxa de informalidade. O trabalho precoce e sem garantias legais se concentra em setores específicos da capital:

  • Feiras livres, com grande presença de jovens.

  • Oficinas mecânicas.

  • Comércio geral e prestação de serviços sem vínculo formal.

 

Apesar do número elevado apontado pela pesquisa, a juíza alerta que os dados oficiais não refletem a quantidade de processos na Justiça ou as autuações da fiscalização trabalhista no estado.

 

A subnotificação ocorre porque as denúncias são escassas e o problema costuma ser ignorado.

 

"Aqui para nós, a tradição de que é melhor estar trabalhando do que estar nas ruas ainda é muito importante", explicou a magistrada sobre o peso cultural.

 

O risco nas redes sociais

O modelo de exploração também sofreu modernização, saindo das ruas e invadindo a internet. A Justiça do Trabalho alerta para a perigosa "glamourização" da profissão de influenciador digital entre os mais jovens.

 

O trabalho com monetização nas redes sociais traz riscos diretos ao desenvolvimento, incluindo cyberbullying, exposição da intimidade e até exploração sexual maquiada por coreografias.

 

"A partir do momento em que você tem que produzir conteúdo, cumprir uma agenda, isso ocorre em detrimento da educação e do lazer", alertou Taveira.

 

Para tentar conter os abusos, a Justiça já busca exigir autorização legal prévia para essas atividades remuneradas.

 

O sistema de proteção busca agora uma maior integração das políticas públicas sociais. O objetivo principal é garantir o acesso permanente dos menores à escola, promover o acompanhamento familiar e combater as raízes da pobreza.

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