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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarca em Minas Gerais nesta sexta-feira (19) para uma série de compromissos oficiais. A visita ocorre em um momento de incerteza política para a base governista, que ainda não consolidou o nome que liderará a chapa estadual nas eleições de outubro.
Desde a desistência do senador Rodrigo Pacheco (PSB) de concorrer ao governo, o PT mineiro intensificou as articulações internas. Na última quinta-feira, a cúpula do partido e a bancada estadual se reuniram para avaliar cenários, mas a definição sobre o cabeça de chapa segue em aberto.
Agenda na saúde
Em Belo Horizonte, o presidente foca na assistência oncológica. Lula participa de eventos no Hospital Luxemburgo, da Rede Mário Penna, onde serão anunciados novos marcos para o tratamento de câncer e a entrega de um equipamento de radioterapia para o SUS.
Na parte da tarde, a agenda segue para Divinópolis, no centro-oeste mineiro. O presidente inaugura o Hospital Regional, uma obra que se tornou centro de uma disputa política entre o governo federal e a gestão estadual.
Disputa pela "paternidade" da obra
A estrutura do hospital em Divinópolis começou a ser construída em 2010 e enfrentou longos anos de paralisação. A conclusão foi viabilizada por meio de recursos do Termo de Reparação do rompimento da barragem de Brumadinho, assinado pelo governo mineiro com a Vale.
Embora o governo estadual tenha executado a obra, a unidade foi doada à Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e será gerida pelo Ministério da Educação. A disputa pelo protagonismo político do evento acirrou os ânimos entre o governo federal e o ex-governador Romeu Zema.
“É muito fácil o presidente Lula participar de um evento para tentar passar a impressão de que trabalhou pela conclusão do hospital. É, no mínimo, contraditória”, afirmou o ex-governador Romeu Zema.
A expectativa do governo federal é que o hospital esteja em pleno funcionamento até maio de 2027, atendendo 100% via SUS com 198 leitos e mais de mil profissionais. Integrantes da federação PT-PCdoB-PV acreditam que a presença de Lula no estado ajude a acelerar a definição do cenário eleitoral.
Divisão entre clã político
A visita também evidenciou divisões até mesmo entre famílias políticas locais. Os irmãos Azevedo — o senador Cleitinho, o ex-prefeito Gleidson e o deputado estadual Eduardo — adotaram posturas distintas sobre a vinda do presidente à cidade.
Enquanto Eduardo Azevedo criticou duramente a agenda, classificando-a como uma estratégia eleitoral do PT, o senador Cleitinho adotou um tom diferente.
“O presidente Lula está indo na cidade e está uma polêmica. Ele tem que ir, uai. Ele é o presidente da República. Se qualquer outro presidente estivesse em exercício fosse à cidade, eu tenho que ficar é feliz e honrado”, disse Cleitinho no Senado.