}
Quinta, 18 de Junho de 2026
15°C 30°C
Goiânia, GO

Em áudio vazado no G7, Lula diz ao FMI e chanceler alemão: “Nunca fui esquerdista”

Presidente foi flagrado pela transmissão oficial afirmando que o mundo é de centro e rebateu declarações de Donald Trump sobre a política brasileira

Cleyber Carlos
Por: Cleyber Carlos
18/06/2026 às 14h51
Em áudio vazado no G7, Lula diz ao FMI e chanceler alemão: “Nunca fui esquerdista”
Lula em uma reunião sobre crescimento econômico no G7, na França. — Foto: Christian Hartmann / Reuters

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi flagrado afirmando que nunca foi de esquerda durante uma conversa informal na cúpula do G7, na França, na quarta-feira (17). A declaração foi captada pela transmissão oficial do evento em um diálogo com a diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, e o chanceler alemão, Friedrich Merz.

 

O áudio revela Lula explicando sua trajetória política após a chefe do FMI comentar que muitos esperavam uma postura esquerdista em seu primeiro mandato. O presidente justificou que sua base sempre foi a de um dirigente sindical com ampla articulação internacional.

 

"Eu nunca fui esquerdista, eu era um dirigente sindical, que tinha uma belíssima relação com o sindicalismo alemão, muito forte. Uma relação boa com o sindicalismo italiano e uma relação boa com a UGT da Espanha", declarou Lula.

 

Durante a conversa, o mandatário brasileiro avaliou o cenário global e cravou que o mundo não é de esquerda, mas sim de centro. Ele relembrou um episódio dos anos 1980, quando foi impedido de participar de um congresso na Rússia devido à Lei de Segurança Nacional. Após viajar pela Europa em busca de apoio, ele afirmou ter passado a ser tratado como anticomunista, arrancando risos das autoridades europeias.

 

Atrito com Donald Trump

O evento na França também foi palco de trocas de farpas entre Lula e Donald Trump. Em entrevista à imprensa, o presidente norte-americano classificou o Brasil como um país politicamente difícil e perigoso. Ele confirmou que passou bastante tempo com o líder brasileiro, mas não detalhou os assuntos tratados.

 

Ao comentar o cenário brasileiro, Trump criticou o sistema eleitoral e demonstrou confusão sobre a recente condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) a quatro anos e dois meses de prisão pelo STF. O norte-americano afirmou erroneamente que um candidato ("Bolsonaro Jr.") havia sido preso por dar uma declaração no Texas. Na realidade, Eduardo aguarda os trâmites do processo em liberdade nos Estados Unidos, e o pré-candidato à presidência é seu irmão, Flávio Bolsonaro.

 

Resposta do Brasil

Questionado sobre as falas de Trump, Lula subiu o tom e recomendou que o norte-americano evite interferir no processo eleitoral de outras nações. O petista destacou que as críticas evidenciam um desconhecimento sobre o funcionamento político do Brasil.

 

"Se tem alguém que tem que aprender com eleições civilizadas no Brasil é o meu amigo Trump. Na próxima vez, vou levar a urna eletrônica para mostrar como ela funciona", ironizou o presidente brasileiro.

 

Antes de encerrar, Lula frisou que não tem razões para promover conversas bilaterais com Trump no momento atual. O presidente justificou a ausência de um encontro formal e exclusivo afirmando que as negociações entre os dois países seguem seus fluxos normais.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários