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Projeto que cria fundo imobiliário com áreas públicas avança na Alego e gera debate sobre patrimônio do Estado

Carteira preliminar inclui 12 imóveis em Goiânia, Pirenópolis, Santa Helena e Pires do Rio; governo estima potencial de R$ 10,3 bilhões em empreendimentos

Por: Lorena Lázaro
19/06/2026 às 09h56
Projeto que cria fundo imobiliário com áreas públicas avança na Alego e gera debate sobre patrimônio do Estado
Antigo clube da Telegoias uma das áreas que fazem parte do programa

A proposta do Governo de Goiás para criar fundos de investimento imobiliário (FIIs) com imóveis públicos avançou na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) e passou a mobilizar discussões entre parlamentares da base e da oposição. O projeto, encaminhado pelo governador Daniel Vilela (MDB), autoriza o Estado a utilizar áreas consideradas ociosas ou subutilizadas em operações estruturadas pelo mercado financeiro, com a expectativa de transformar patrimônio imobiliário em fonte de receita.

 

O debate ganhou novos contornos nesta semana após a divulgação de documentos utilizados nos estudos de modelagem da proposta. O material revela uma carteira preliminar de 12 imóveis analisados pelo Estado por seu potencial econômico, capacidade de valorização e possibilidade de desenvolvimento de novos empreendimentos.

 

 

Segundo estimativas apresentadas pelo governo, os imóveis avaliados somam patrimônio estimado em R$ 604 milhões. Em cenários de desenvolvimento imobiliário estruturado, os projetos decorrentes dessas áreas poderiam movimentar até R$ 10,3 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV) e gerar aproximadamente R$ 1,24 bilhão em receitas para os cofres estaduais.

 

O que o governo pretende fazer

A proposta prevê a criação de fundos de investimento imobiliário administrados por instituições especializadas e regulados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

 

Na prática, imóveis pertencentes ao Estado poderão ser incorporados aos fundos em troca de cotas. A partir daí, esses ativos poderão ser utilizados em projetos de desenvolvimento urbano, empreendimentos imobiliários, operações de locação ou outras formas de exploração econômica.

 

O governo sustenta que o modelo é diferente da venda direta dos imóveis. Segundo a Secretaria de Estado da Administração (Sead), Goiás permanecerá como cotista majoritário dos fundos e manterá o controle das decisões estratégicas relacionadas aos ativos.

 

A gestão cotidiana dos fundos ficaria sob responsabilidade de administradores e gestores especializados selecionados por meio de licitação.

 

Quais imóveis estão na lista preliminar

Os documentos utilizados nos estudos apontam uma carteira inicial distribuída em quatro municípios.

 

Em Goiânia aparecem áreas consideradas estratégicas pela localização e potencial de valorização, entre elas a antiga Hípica e Escola de Tênis, no Setor Jaó; o antigo Clube da Telegoiás, na Cidade Jardim; a Chácara Retiro, próxima ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-GO); além de imóveis nos setores Grajaú e Aeroviários.

 

Também integram a relação:

Santa Helena de Goiás

  • Antiga sede da Agrodefesa

  • Área localizada às margens da GO-164

Pirenópolis

  • Área do antigo Dergo

Pires do Rio

  • Imóvel no Setor Industrial

O governo ressalta que a relação não é definitiva e poderá sofrer alterações ao longo dos estudos técnicos.

 

O ponto que gera controvérsia

Embora a proposta seja apresentada pelo Executivo como uma modernização da gestão patrimonial, parlamentares da oposição demonstram preocupação com os mecanismos de controle sobre os imóveis públicos.

 

Uma das críticas é a possibilidade de que áreas estaduais sejam transferidas para os fundos sem que cada operação passe por ampla discussão legislativa. Deputados também questionam quais critérios serão utilizados para a escolha definitiva dos imóveis e de que forma será garantida a preservação do interesse público.

 

O deputado Antônio Gomide (PT), um dos parlamentares que pediram mais prazo para análise da matéria, argumenta que o texto precisa deixar mais claras as regras de fiscalização e acompanhamento das operações.

 

Por outro lado, o líder do governo na Alego, deputado Talles Barreto (UB), afirma que a aprovação da lei não representa autorização automática para utilização dos imóveis. Segundo ele, futuras parcerias e operações deverão passar por novas etapas de análise e controle.

 

Próximos passos

O projeto ainda tramita na Assembleia Legislativa e deve passar por novas discussões antes de ser votado em plenário.

 

Enquanto o governo defende que o modelo pode aumentar a eficiência na gestão do patrimônio estadual e criar novas fontes de receita, a oposição busca ampliar os mecanismos de fiscalização sobre um patrimônio que, segundo os estudos apresentados, pode alcançar bilhões de reais em potencial econômico.

 

O debate deve se intensificar nas próximas semanas à medida que a proposta avançar nas comissões da Casa.

 

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