}

Elon Musk alcançou um marco inédito na história do capitalismo moderno. Com a estreia das ações da SpaceX na Nasdaq nesta sexta-feira (12), o empresário tornou-se o primeiro trilionário do mundo, impulsionado pela valorização da companhia espacial fundada por ele em 2002.
A oferta pública inicial (IPO) da SpaceX foi precificada em US$ 135 por ação e arrecadou aproximadamente US$ 75 bilhões, superando com folga o recorde anterior da petroleira Saudi Aramco, que havia levantado US$ 29,4 bilhões em sua abertura de capital realizada em 2019.
Logo nos primeiros minutos de negociação, os papéis abriram cotados a US$ 150, uma alta de 11% em relação ao preço do IPO. O movimento elevou o valor de mercado da empresa para cerca de US$ 2 trilhões, colocando a companhia entre as mais valiosas do planeta.
Como Musk permanece dono de aproximadamente 82% da SpaceX, a valorização foi suficiente para elevar seu patrimônio líquido acima da marca de US$ 1 trilhão, algo jamais alcançado por qualquer empresário desde o surgimento dos mercados financeiros modernos.
Quando foi criada, há 24 anos, a SpaceX tinha como objetivo reduzir os custos de acesso ao espaço e desenvolver tecnologias capazes de levar seres humanos a Marte.
Na época, a proposta era vista por muitos especialistas como excessivamente ambiciosa. Hoje, a empresa domina o mercado global de lançamentos espaciais e realiza missões frequentes para a NASA, agências internacionais e clientes privados.
A companhia revolucionou o setor ao desenvolver foguetes reutilizáveis capazes de pousar verticalmente após as missões, reduzindo drasticamente os custos operacionais da indústria espacial.
Além dos lançamentos, a empresa expandiu seus negócios para áreas consideradas estratégicas para o futuro da economia global.
Grande parte da valorização da SpaceX está associada ao crescimento da Starlink, serviço de internet via satélite que já atende milhões de usuários em dezenas de países.
A rede utiliza milhares de satélites em órbita terrestre baixa para fornecer conexão de alta velocidade em regiões remotas, áreas rurais e locais sem infraestrutura tradicional de telecomunicações.
Especialistas consideram a Starlink uma das principais responsáveis pela transformação da SpaceX em uma empresa de tecnologia e infraestrutura global, muito além do setor aeroespacial.
Investidores também apostam na expansão dos negócios ligados à inteligência artificial.
A companhia controla ativos relacionados à xAI, empresa de IA fundada por Musk, além da plataforma X, antiga Twitter.
Analistas avaliam que a combinação entre internet via satélite, inteligência artificial, comunicação digital e infraestrutura espacial ajudou a impulsionar o interesse dos investidores pela abertura de capital.
Apesar da euforia, a SpaceX ainda opera com prejuízos bilionários.
A companhia registrou perdas próximas de US$ 5 bilhões no último ano, mesmo com receitas superiores a US$ 18 bilhões.
Para parte do mercado, os resultados atuais são menos relevantes do que o potencial de crescimento da empresa nas próximas décadas.
Os investidores enxergam a SpaceX como uma das poucas companhias com capacidade financeira e tecnológica para liderar projetos considerados estratégicos para o futuro, como colonização espacial, exploração de Marte, expansão da internet global e desenvolvimento de centros de processamento de dados fora da Terra.
A estreia da SpaceX é considerada um dos acontecimentos mais importantes do mercado financeiro nos últimos anos.
A forte demanda pelas ações demonstrou o apetite dos investidores por empresas ligadas à inovação tecnológica, inteligência artificial e exploração espacial.
Analistas acreditam que o sucesso da operação pode abrir caminho para novas aberturas de capital de gigantes do setor tecnológico, incluindo empresas de inteligência artificial que vêm atraindo investimentos bilionários ao redor do mundo.