}
Domingo, 14 de Junho de 2026
18°C 31°C
Goiânia, GO

China rechaça acusação de trabalho forçado e critica nova tarifa dos EUA que atinge o Brasil

Governo americano quer sobretaxa de 12,5% sobre produtos de 60 países, sob alegação de falhas na fiscalização contra a escravidão moderna. Pequim acusa Washington de manipulação política.

Cleyber Carlos
Por: Cleyber Carlos
03/06/2026 às 09h24 Atualizada em 03/06/2026 às 10h21
China rechaça acusação de trabalho forçado e critica nova tarifa dos EUA que atinge o Brasil

A China manifestou oposição nesta quarta-feira (3) à proposta dos Estados Unidos de aplicar uma nova sobretaxa sobre importações. A medida americana mira 60 economias, incluindo o mercado chinês e o Brasil, com a justificativa de que esses países falham no combate ao uso de trabalho forçado em suas cadeias produtivas.

O governo chinês negou as acusações e classificou a atitude de Washington como unilateral. Durante coletiva de imprensa, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, declarou que as alegações americanas não têm base na realidade do país asiático.

"Não existe o chamado trabalho forçado na China, e nos opomos ao uso disso como desculpa para manipulação política", afirmou a porta-voz.

Entenda a nova tarifa

A ofensiva comercial foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), amparada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Uma investigação americana concluiu que as 60 nações listadas, grupo que também engloba Índia, Japão, Reino Unido e Coreia do Sul, não possuem mecanismos eficientes para barrar a entrada de mercadorias produzidas por meio de exploração.

Para o governo dos Estados Unidos, essa lacuna na fiscalização alimenta a escravidão moderna global e gera concorrência desleal para os trabalhadores e as empresas do país. Como resposta, a proposta sugere uma tarifa adicional de 12,5% sobre todos os produtos importados desses mercados.

No caso do Brasil, a nova taxa pode se somar a uma outra proposta tarifária recente de 25%, embasada na mesma legislação americana. Até o momento, não há clareza se as cobranças serão cumulativas.

Reação internacional e impacto no mercado

Além do repúdio chinês, o Reino Unido se pronunciou afirmando que mantém diálogo constante com Washington sobre o tema e que adota medidas internas rigorosas para combater o problema nas próprias cadeias de produção.

A tensão entre as potências provocou reações mistas nos mercados asiáticos. Em Hong Kong, o índice Hang Seng registrou queda de 1,6%. Na China continental, as bolsas fecharam em leve alta, com o índice CSI300 avançando 0,5% e o de Xangai subindo 0,2%. O setor de semicondutores liderou os ganhos da sessão, impulsionado pela forte demanda por tecnologias de inteligência artificial.

Apesar do atrito comercial, os dados econômicos mostram resistência na Ásia. O setor de serviços chinês apresentou em maio o ritmo de crescimento mais forte dos últimos três meses, puxado pelo surgimento de novos negócios e pelo aquecimento da demanda externa.

A aplicação da sobretaxa americana, contudo, não será imediata. O governo dos EUA receberá contribuições da sociedade civil sobre a medida até 6 de julho e agendou audiências públicas para o dia 7 de julho. Somente após a conclusão dessa etapa haverá uma decisão definitiva sobre a implementação da tarifa.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários