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Dentista investigada por deformar pacientes em Goiânia deixa prisão e responderá processo em liberdade

Justiça substituiu prisão preventiva por medidas cautelares; número de denúncias contra a profissional já chegou a 11, segundo a Polícia Civil

Por: Lorena Lázaro Fonte: Polícia Civil
02/06/2026 às 09h24 Atualizada em 02/06/2026 às 15h05
Dentista investigada por deformar pacientes em Goiânia deixa prisão e responderá processo em liberdade
Reprodução do perfil do Instagram

A cirurgiã-dentista Valéria Martins Ribeiro, investigada por supostamente realizar procedimentos estéticos irregulares que teriam causado sequelas permanentes em pacientes, deixou a prisão e passará a responder às investigações em liberdade provisória. A decisão judicial determinou a substituição da prisão preventiva por medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica e o recolhimento domiciliar no período noturno. 

Valéria foi presa durante a Operação Protocolo de Risco, deflagrada pela Polícia Civil de Goiás com apoio da Vigilância Sanitária. As investigações apontam que a profissional realizava procedimentos cirúrgicos considerados incompatíveis com sua habilitação odontológica em uma clínica localizada no Setor Bueno, em Goiânia.  

Segundo a Polícia Civil, pacientes denunciaram complicações graves após as intervenções. Entre os problemas relatados estão infecções, deformidades, fibroses, necroses, cicatrizes permanentes e outras sequelas físicas e psicológicas. O número de denúncias formalizadas chegou a 11.

Procedimentos investigados

De acordo com os investigadores, a dentista realizava procedimentos como rinoplastia, blefaroplastia, bichectomia e lipoaspiração de papada, além de outras intervenções cirúrgicas faciais. A polícia sustenta que parte desses procedimentos era executada sem a habilitação necessária e em ambiente inadequado para cirurgias de maior complexidade.  

As apurações também apontam possíveis falhas na esterilização dos materiais utilizados, ausência de acompanhamento anestésico adequado e indícios de exercício ilegal da medicina. Segundo a investigação, alguns procedimentos chegavam a durar mais de 12 horas.  

Outro fato que chamou a atenção dos investigadores foi a existência de vídeos nos quais a profissional teria solicitado orientações durante a realização de um procedimento cirúrgico enquanto a paciente ainda estava anestesiada. O material passou a integrar o inquérito policial.  

Clínica foi interditada

Durante a operação, a Vigilância Sanitária interditou a clínica vinculada à empresa Valéria Martins Ribeiro Ltda., registrada como atividade odontológica no Setor Bueno. Também foram apreendidos documentos, prontuários, equipamentos e aparelhos eletrônicos para análise pericial.  

Nas redes sociais, a profissional se apresentava como especialista em harmonização facial e afirmava ser referência em procedimentos de lipo de papada, acumulando mais de 70 mil seguidores.  

O que diz o CRO-GO

O Conselho Regional de Odontologia de Goiás (CRO-GO) informou que acompanha o caso e confirmou que a profissional possui registro ativo no órgão. O conselho também destacou que instaurou procedimento administrativo interno para apurar eventuais infrações éticas, processo que corre sob sigilo. 

O CRO-GO esclareceu ainda que dentistas podem realizar determinados procedimentos de harmonização orofacial, como aplicação de toxina botulínica e preenchimentos faciais, desde que observadas as normas e os limites de atuação previstos pela regulamentação profissional. 

Defesa

Até as publicações mais recentes sobre o caso, não havia posicionamento público detalhado da defesa sobre as acusações investigadas. O inquérito segue em andamento e a dentista permanece sob investigação. 

 Fonte: Poliícia Civil 

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