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As Forças de Defesa de Israel (FDI) capturaram neste domingo (31) o Castelo de Beaufort, uma fortaleza da era das Cruzadas localizada no sul do Líbano. A operação marca um avanço militar das tropas israelenses, acompanhado da ordem do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu para o aprofundamento das incursões no país vizinho.
A fortaleza fica a cerca de 14,5 quilômetros da fronteira com Israel, nas proximidades da cidade de Nabatiyeh. De acordo com o comando militar israelense, o objetivo da ocupação da Cordilheira de Beaufort e da área de Wadi al-Saluki é destruir a infraestrutura do grupo Hezbollah, que utilizava a região para coordenar atividades de combate e lançar ataques.
A agência de notícias estatal libanesa NNA relatou bombardeios intensos na região nos últimos dias. Antes da ocupação se concretizar, a prefeitura local havia acionado autoridades pedindo a proteção de organizações internacionais para o local histórico. O Hezbollah afirmou ter destruído um tanque das forças israelenses nos arredores da fortaleza.
Histórico e proteção da fortaleza
Construído sobre um penhasco com vista para o rio Litani há cerca de 900 anos, o Castelo de Beaufort é apontado pela Unesco como um dos castelos medievais mais bem preservados de todo o Oriente Médio.
No final de 2024, após o início da incursão terrestre de Israel, a Unesco concedeu ao local proteção provisória reforçada, o mais alto nível de imunidade contra ataques ou uso para fins militares.
O local possui histórico de ocupações. Em 1982, o castelo foi cenário de fortes combates entre o Exército israelense e a Organização para a Libertação da Palestina. Israel manteve o controle militar do espaço por 18 anos, retirando suas tropas no ano 2000. Durante esse período, a estrutura sofreu danos significativos.
Benjamin Netanyahu celebrou a nova ocupação neste domingo, afirmando que as tropas retornaram a Beaufort "mais fortes do que nunca" e hastearam a bandeira de Israel. O primeiro-ministro classificou a tomada como uma mudança drástica na condução do conflito.
Avanço além da linha de cessar-fogo
A operação ocorre em meio à escalada dos confrontos entre Israel e o Hezbollah, o que contraria as expectativas do cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos em abril. Na sexta-feira, o governo israelense já havia confirmado que as tropas cruzaram o rio Litani, que fica a aproximadamente 30 quilômetros ao norte da fronteira, avançando mais fundo no território libanês.
A nova diretriz de Netanyahu é expandir o controle sobre áreas que anteriormente estavam sob domínio do grupo libanês. O avanço militar emite alertas sobre as negociações na região e pode colocar em risco os acordos entre os Estados Unidos e o Irã, que cobram a inclusão de um cessar-fogo efetivo no Líbano.
Apesar das pressões externas, a estratégia de Israel conta com apoio norte-americano. Na última semana, o presidente dos EUA, Donald Trump, assegurou a Netanyahu que apoia a liberdade de ação das tropas israelenses contra ameaças em todas as frentes, incluindo o território libanês.