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Esposa de chefe do Comando Vermelho é presa em operação contra lavagem de dinheiro

Ação da Polícia Civil cumpre mais de 160 mandados no Rio de Janeiro e em outros cinco estados. Facção utilizava empresas de reciclagem e ferros-velhos para legalizar recursos do tráfico.

Redação
Por: Redação
29/05/2026 às 16h51 Atualizada em 01/06/2026 às 16h21
Esposa de chefe do Comando Vermelho é presa em operação contra lavagem de dinheiro

A Polícia Civil prendeu, na manhã desta sexta-feira (29), Raquel Neves dos Santos Mendonça, esposa do traficante Antônio Ilário Ferreira, conhecido como Rabicó e apontado como um dos principais líderes do Comando Vermelho (CV). A prisão ocorreu durante mais uma fase da Operação Contenção, que tem como alvo a rede de lavagem de dinheiro da facção criminosa. Até o momento, 20 suspeitos foram detidos.

Os agentes cumprem 162 ordens judiciais, expedidas pela 1ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa do Rio de Janeiro. A ofensiva inclui 55 mandados de prisão preventiva e 107 de busca e apreensão.

As ações se concentram no estado do Rio de Janeiro, com buscas na capital, em São Gonçalo, Duque de Caxias, Itaboraí, Iguaba Grande, Armação dos Búzios e São João de Meriti. A operação também se estende para endereços de alvos localizados em São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Maranhão.

Esquema de lavagem de dinheiro

As investigações apontam que Rabicó atua como o principal operador financeiro do grupo criminoso. Ele seria o responsável por gerenciar empresas de fachada, articular movimentações bancárias por meio de terceiros e ocultar bens adquiridos com os lucros ilícitos.

Para dar aparência legal ao dinheiro oriundo do tráfico de drogas, o esquema utilizava firmas ligadas ao setor de reciclagem e ferros-velhos. O grupo realizava depósitos fracionados em espécie, emitia notas fiscais falsas e promovia transferências constantes entre contas bancárias de passagem para dificultar o rastreamento das autoridades financeiras.

Comércio de sucatas e cobre

Os investigadores descobriram que empresas de comércio de sucatas repassavam valores milionários diretamente para contas controladas pelo traficante. Além das transações bancárias, a polícia encontrou indícios de receptação de materiais de origem suspeita e identificou áreas destinadas à queima clandestina de cabos de cobre, atividades que integravam a cadeia de lavagem de dinheiro da facção.

As provas que embasaram a operação foram obtidas por meio de Relatórios de Inteligência Financeira e quebras de sigilo fiscal, telefônico e telemático. O cruzamento dos dados bancários e patrimoniais permitiu às autoridades mapear o fluxo milionário e a estrutura do braço econômico da organização.

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