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Decisão dos EUA de classificar PCC e CV como terroristas divide governantes e vira alvo de embate político

Medida anunciada pelo governo Trump provocou forte reação de Lula, que criticou interferência externa. De outro lado, governadores e parlamentares de oposição apoiaram a classificação e atacaram o Planalto.

Redação
Por: Redação
29/05/2026 às 14h37 Atualizada em 01/06/2026 às 16h22
Decisão dos EUA de classificar PCC e CV como terroristas divide governantes e vira alvo de embate político

O anúncio do governo dos Estados Unidos de enquadrar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais gerou forte repercussão e dividiu os principais nomes da política brasileira. A medida, detalhada pelo Departamento de Estado americano, motivou reações duras do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e foi celebrada por lideranças de oposição, que associam a decisão a uma fragilidade na segurança pública nacional.

O Palácio do Planalto manifestou contrariedade em relação ao movimento de Washington, alegando que a classificação unilateral pode prejudicar as investigações em andamento, comprometer o compartilhamento de dados de inteligência policial e gerar impactos negativos no sistema financeiro nacional. Integrantes do governo avaliam nos bastidores que a iniciativa de classificar as facções criminosas locais sob leis de terrorismo estrangeiras abre precedentes jurídicos para ações externas na região.

Reação do Planalto e cobrança por foragidos

Em pronunciamento nesta sexta-feira (29), o presidente Lula condenou o anúncio americano e ressaltou que o enfrentamento às redes criminosas é uma prerrogativa soberana do Estado brasileiro. O petista afirmou que os grupos impõem uma rotina de medo nas periferias do país e que serão combatidos internamente pelas forças nacionais, sem aceitar o que chamou de interferência externa na condução dos assuntos do país.

Lula aproveitou a declaração para cobrar reciprocidade do governo norte-americano no cumprimento de mandados, sugerindo que a Casa Branca colabore com a extradição de investigados brasileiros que estariam residindo em território dos EUA. A ala diplomática do governo estuda acionar canais diretos com o presidente Donald Trump para defender a soberania do país, mantendo o foco em propostas de cooperação institucional pré-existentes.

Oposição defende medida e critica omissão

Do lado da oposição, pré-candidatos e chefes de executivos estaduais saíram em defesa da postura adotada pelos Estados Unidos. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou posicionamento nas redes sociais associando o desfecho ao seu recente encontro em Washington com o secretário de Estado, Marco Rubio, onde solicitou pessoalmente o enquadramento das facções. O parlamentar criticou as ações do governo federal na área de segurança e elogiou a rapidez da resposta da gestão Trump.

Os governadores de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), e de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), também endossaram publicamente a classificação feita pelo Departamento de Estado. Caiado apontou que a iniciativa expõe deficiências no combate à criminalidade e que as facções devem ser tratadas com o máximo rigor legal. Zema, por sua vez, minimizou os temores de ameaça à soberania, argumentando que a verdadeira perda de controle territorial ocorre devido ao avanço do domínio das facções criminosas nas cidades e que o apoio de inteligência internacional é estratégico.

Até o momento, o cronograma estipulado pelas autoridades americanas prevê que as restrições financeiras imediatas entrem em vigor nos próximos dias, enquanto a formalização completa das duas organizações criminosas brasileiras na lista oficial de terrorismo estrangeiro está agendada para o dia 5 de junho.

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