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Brasil recua no ranking de competitividade mesmo com mercado de trabalho aquecido

País ocupa agora a 65ª posição entre 70 nações; custo de capital e falhas na educação educacional dificultam atração de novos investimentos

Cleyber Carlos
Por: Cleyber Carlos
19/06/2026 às 15h21
Brasil recua no ranking de competitividade mesmo com mercado de trabalho aquecido

O Brasil registrou uma queda de sete posições no ranking mundial de competitividade deste ano, passando da 58ª para a 65ª colocação entre 70 países avaliados. O levantamento, que mensura cerca de 300 indicadores, coloca o país em um patamar crítico para a atração de empresas e negócios.

 

A análise aponta um paradoxo: a desvalorização ocorre em um cenário de crescimento econômico e desemprego em níveis historicamente baixos. Segundo especialistas, o aquecimento do mercado de trabalho não é, por si só, suficiente para sustentar a competitividade nacional a longo prazo.

 

Fragilidades estruturais

O ranking destaca o abismo entre o Brasil e as nações líderes, como Singapura, Hong Kong e Suíça. Enquanto esses países priorizam investimentos em tecnologia, inovação e educação de qualidade, o Brasil enfrenta entraves que limitam o seu potencial de expansão.

 

"Isso não é suficiente para garantir essa competitividade, porque o país não conseguiu ainda desenvolver esses outros aspectos", afirmou a analista Lucinda Pinto.

 

O impacto do custo de capital

Um dos pontos centrais da queda brasileira é o alto custo de capital. Esse fator trava o crescimento produtivo e obriga o país a manter juros elevados para atrair investidores estrangeiros, criando uma espiral negativa difícil de ser rompida.

 

O que dizem os especialistas

O fenômeno também é percebido pelo setor produtivo. Hugo Tadeu, do Núcleo de Inovação da Fundação Dom Cabral, reforça que o custo para operar no mercado brasileiro tem inibido tanto o desenvolvimento industrial quanto o surgimento de novas empresas.

 

"Os dados trazem perspectiva de que o custo de se fazer negócios no Brasil é cada vez mais alto, e isso tem dificultado não só as indústrias, como também as empresas nascentes", ressaltou Hugo Tadeu.

 

Além do custo operacional, a baixa formação bruta de capital fixo preocupa especialistas. Sem previsibilidade e uma visão estratégica de futuro, o Brasil corre o risco de perder a disputa global por investimentos em áreas vitais, como inteligência artificial e tecnologia de ponta.

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