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Austrália alerta que El Niño de 2026 pode ser um dos mais intensos das últimas sete décadas

Meteorologistas apontam formação do fenômeno no Pacífico com potencial para severas alterações climáticas em diferentes continentes

Cleyber Carlos
Por: Cleyber Carlos
16/06/2026 às 09h32
Austrália alerta que El Niño de 2026 pode ser um dos mais intensos das últimas sete décadas
O gado pasta em um campo perto de Cooma, em Nova Gales do Sul 19 de novembro de 2023 REUTERS/Peter Hobson

O serviço meteorológico da Austrália emitiu um alerta nesta terça-feira (16) sobre a formação de um fenômeno El Niño no Pacífico tropical. A previsão é de que o evento se intensifique significativamente no segundo semestre de 2026, posicionando-se como um dos mais fortes registrados desde 1950.

 

O aquecimento das temperaturas da superfície do mar na região ultrapassou os limites técnicos para a classificação do fenômeno, e todos os indicadores atmosféricos confirmam a tendência. O departamento australiano ressaltou que a combinação com as mudanças climáticas globais deve potencializar os efeitos esperados.

 

"As previsões apontam para um evento El Niño forte a muito forte, com base na extensão do aquecimento no Pacífico tropical central. Cerca de metade dos modelos indica que este evento poderá atingir picos entre os mais altos observados desde 1950"

 

Impactos na agricultura e segurança alimentar

A expectativa dos especialistas é de que o fenômeno provoque chuvas excessivas em partes das Américas e condições de seca severa na Ásia. Este cenário já gera preocupação sobre a estabilidade do abastecimento de alimentos na região mais populosa do planeta, onde o plantio tem sido prejudicado.

 

O El Niño é um aquecimento periódico das águas que altera o padrão climático global. Na Austrália, o fenômeno é motivo de atenção especial por afetar a produção de grandes exportadores de itens básicos, como trigo, açúcar e carne bovina.

 

Precedentes e riscos regionais

O histórico recente do país com o fenômeno reforça o temor. Entre 2023 e 2024, o território registrou o trimestre mais seco já documentado. Outro evento marcante, entre 2015 e 2016, resultou em uma seca generalizada que reduziu drasticamente a produção de grãos e oleaginosas em diversas regiões.

 

Além das consequências no campo, o alerta movimenta setores estratégicos como o elétrico e o mercado financeiro. O risco de redução nos níveis dos reservatórios e a volatilidade nos preços das commodities são os principais pontos de atenção monitorados por analistas diante da magnitude sem precedentes projetada para este ano.

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