Economia Fim da produção
Jaguar Land Rover fecha fábrica no Brasil e pode demitir quase 400 funcionários
Unidade no Rio de Janeiro operava há 10 anos e sofreu com baixas vendas; montadora chinesa negocia para assumir o complexo industrial
22/06/2026 09h35
Por: Cleyber Carlos
Unidade operava há 10 anos e cerca de 400 trabalhadores serão demitidos | Bnews - Divulgação Divulgação/Land Rover

A fabricante de veículos de luxo Jaguar Land Rover decidiu encerrar oficialmente sua produção no Brasil. A fábrica localizada em Itatiaia, no sul do Rio de Janeiro, será desativada após uma década de operação contínua no país.

 

O fechamento afeta diretamente 371 trabalhadores, que atualmente aguardam uma definição sobre o futuro. Os últimos exemplares nacionais dos modelos Discovery Sport e Range Rover Evoque já foram montados e devem ser distribuídos às concessionárias até o meio de julho.

 

A principal razão para a retirada da linha de montagem brasileira foi o fraco desempenho nas vendas. Durante todo o ano de 2025, a marca comercializou apenas 757 veículos fabricados no país.

 

O cenário não demonstrou recuperação no início de 2026. Nos primeiros cinco meses do ano, a montadora somou somente 264 emplacamentos dos modelos produzidos nacionalmente.

 

Futuro dos trabalhadores e nova direção

A unidade fluminense operava no sistema SKD, formato em que as carrocerias chegavam pré-montadas do exterior. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Itatiaia e Porto Real (Sindireal), o acordo coletivo está sendo respeitado pela empresa neste momento de transição.

 

A entidade sindical informou que os funcionários participam de cursos de especialização enquanto aguardam a definição sobre a continuidade das atividades, com a prioridade focada na manutenção dos postos de trabalho.

 

O complexo industrial, no entanto, não deve ficar abandonado. A prefeitura local e o governo estadual estão em negociações avançadas sobre incentivos fiscais com a fabricante chinesa Chery.

 

A expectativa é que a nova montadora assuma a estrutura com uma projeção agressiva de mercado. O planejamento inicial prevê a adaptação do espaço para produzir até 87 mil carros por ano, podendo alcançar a capacidade de 100 mil veículos anuais a partir do segundo semestre de 2027.