O anúncio de um acordo entre Estados Unidos e Irã para suspender as hostilidades no Oriente Médio provocou uma reação imediata nas bolsas internacionais. O barril de petróleo tipo Brent recuou 4,76%, cotado a US$ 83,17 — o menor patamar desde o início do conflito, em março.
O otimismo contagiou mercados na Ásia, Europa e Estados Unidos. Em Nova York, o índice Nasdaq saltou 3,07%, enquanto o Dow Jones alcançou nova máxima histórica. No Brasil, porém, a euforia externa não se traduziu em ganhos para o Ibovespa, que encerrou o dia em queda de 0,42%, aos 170.415 pontos.
Peso do cenário interno
O principal freio para os ativos brasileiros foi o desempenho das petroleiras. Com a desvalorização do óleo cru, as ações preferenciais da Petrobras caíram 5,15%. Além do reflexo direto no setor de energia, o mercado local continua pressionado por preocupações fiscais.
"O ambiente vai melhorar em geral por conta da redução do conflito, isso acalma. Mas no caso brasileiro houve uma piora importante, relacionada à expansão fiscal, com gasto adicional de R$ 215 bilhões", aponta Luiz Fernando Figueiredo, conselheiro da gestora Jubarte Capital.
Expectativas para a Selic
A cautela dos investidores também se estende à reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) nesta quarta-feira. Embora a trégua no Oriente Médio possa reduzir pressões inflacionárias globais, o cenário doméstico permanece instável, com o mercado financeiro elevando as projeções para o IPCA de 2026 de 5,11% para 5,30%.
A estimativa para a taxa básica de juros, a Selic, também subiu no Boletim Focus, passando de 13,50% para 13,75% ao final do ano. Especialistas ponderam que, apesar do acordo geopolítico, a volatilidade fiscal e as incertezas políticas locais exigem uma postura de cautela por parte do Banco Central.
Fuga de capital e IA
Outro fator que drena recursos da Bolsa brasileira é o retorno do apetite global por tecnologia, impulsionado pelo sucesso de empresas de inteligência artificial nos Estados Unidos. Desde abril, investidores estrangeiros retiraram cerca de R$ 32 bilhões da B3.
"São muitos os choques: a guerra, as cadeias produtivas desorganizadas, o fiscal, a escala 6x1, El Niño. Do ponto de vista de política monetária, deve-se ter cautela extra", destaca o economista Tiago Berriel, estrategista-chefe da BTG Asset Management.