A morte de Héctor Rusthenford Guerrero Flores, conhecido como "Niño Guerrero", líder da facção criminosa Tren de Aragua, ganhou novos contornos após autoridades dos Estados Unidos e da Venezuela confirmarem que a operação foi realizada de forma coordenada entre os dois países.
O criminoso, considerado um dos homens mais procurados da América Latina, morreu durante uma ofensiva realizada no estado de Bolívar, no sul da Venezuela, região marcada pela mineração ilegal de ouro e pela presença de organizações armadas ligadas ao narcotráfico e ao crime organizado.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a morte de Guerrero na sexta-feira (13), classificando a ação como um ataque "rápido e letal" contra uma organização que Washington considera terrorista.
Segundo Trump, a operação foi conduzida pelo Comando Sul das Forças Armadas americanas em coordenação direta com as forças de segurança venezuelanas.
"O Tren de Aragua não tem mais refúgio seguro na Venezuela ou em qualquer outro lugar", afirmou o presidente americano.
Mais do que a eliminação do líder criminoso, o que chamou atenção de analistas internacionais foi o nível de colaboração entre Washington e Caracas.
Nas últimas décadas, Estados Unidos e Venezuela estiveram em lados opostos em diversos conflitos diplomáticos, especialmente durante os governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro.
Desta vez, porém, autoridades militares dos dois países reconheceram publicamente a atuação conjunta.
O chefe do Comando Sul dos Estados Unidos, general Francis Donovan, agradeceu o apoio das forças venezuelanas e classificou a missão como uma operação bem-sucedida contra uma organização narcoterrorista.
O secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, também ressaltou a "colaboração total" das forças de segurança da Venezuela durante a ação.
Por sua vez, o Ministério da Comunicação venezuelano confirmou que a operação foi realizada no estado de Bolívar e integrou uma série de ações recentes contra grupos criminosos que atuam na exploração ilegal de ouro na região.
Aos 43 anos, Guerrero era apontado pelas autoridades americanas como fundador e principal líder do Tren de Aragua.
A organização surgiu dentro do sistema prisional venezuelano e se transformou em uma rede criminosa internacional com atuação em diversos países da América Latina e presença crescente nos Estados Unidos.
O grupo é acusado de envolvimento com tráfico de drogas, tráfico de pessoas, extorsão, sequestros, assassinatos e lavagem de dinheiro.
Desde 2023, Guerrero estava foragido após escapar da prisão de Tocorón, considerada o principal centro de operações da facção.
Os Estados Unidos ofereciam recompensa de até US$ 5 milhões por informações que levassem à sua captura.
Especialistas avaliam que a morte de Niño Guerrero representa um duro golpe para o Tren de Aragua, mas não deve significar o fim da organização.
A facção já possui estrutura internacional consolidada e presença em vários países, incluindo Colômbia, Peru, Chile, Equador, México e Estados Unidos.
A principal dúvida agora é quem assumirá o comando da organização e se haverá disputas internas pelo controle das operações criminosas.
Ao mesmo tempo, a operação pode sinalizar uma nova fase de cooperação regional no combate ao crime organizado transnacional, especialmente em áreas de fronteira e rotas ligadas ao narcotráfico.