Após uma trajetória consolidada nos bastidores de Hollywood, roteirizando longas estrelados por nomes como Gary Oldman e Shia LaBeouf, o cineasta norte-americano Adam G. Simon encontrou em Goiânia um novo capítulo para sua vida e carreira. Radicado na capital há cerca de um ano, o diretor agora mira transformar Goiás em um polo de conexão com o mercado mundial.
A mudança não foi apenas estratégica. Após viver em Los Angeles e na Tailândia, Simon e sua esposa, a modelo goiana Larissa Andrade, buscaram um ambiente com mais qualidade de vida e senso de comunidade para criar o filho. A escolha pela capital goiana, segundo ele, foi imediata pela hospitalidade e pela transformação econômica da cidade.
"Goiânia já é reconhecida pelo agronegócio e pela gastronomia. O próximo passo natural é a arte", afirma Simon.
O plano para o audiovisual brasileiro
A percepção de que muitos talentos brasileiros deixam o estado por falta de visibilidade motivou Simon a abrir sua própria produtora, a S2L. O objetivo é claro: criar pontes entre artistas locais e grandes investidores internacionais, sem perder a essência das histórias nacionais.
Coproduções: Acordos previstos com capitais dos Estados Unidos e da China.
Foco na identidade: Narrativas devem ser brasileiras, contadas por brasileiros e para o mundo.
Intercâmbio: A vinda de profissionais estrangeiros para eventos de formação será condicionada à parceria obrigatória com artistas goianos.
UNDER: o novo projeto na Chapada
O principal motor dessa nova fase é o longa-metragem UNDER, estreia de Simon na direção. Com forte carga autobiográfica, o filme narra a trajetória de um expatriado que tenta reconstruir a vida ao lado de uma esposa brasileira.
As gravações estão previstas para começar nos próximos meses, percorrendo três cenários estratégicos:
Rio de Janeiro: Pela estrutura de produção consolidada.
Goiânia: Pela vivência pessoal do diretor.
Chapada dos Veadeiros: Selecionada por sua estética impactante, que o cineasta descreve como "algo quase divino".
O elenco conta com nomes em negociação como James Badge Dale e LaKeith Stanfield, além da integração de atores brasileiros. Para o diretor, o Brasil ainda sofre com um isolamento criativo no exterior, onde o mercado cinematográfico nacional é muitas vezes resumido a apenas um ou dois títulos icônicos.
Ao olhar para o futuro, Adam G. Simon é taxativo sobre seu destino. "Vou morrer em Goiânia, cem por cento. Eu amo este lugar. Quero ajudar a desenvolvê-lo e mostrar ao mundo o quão extraordinárias são as pessoas daqui", conclui.
Leia também: Evento em Goiânia oferece 4 mil vagas de emprego e 700 cursos gratuitos