Três pessoas morreram durante protestos no Quênia contra a instalação de um centro de quarentena destinado a receber cidadãos norte-americanos expostos ao vírus ebola no continente africano. A medida é resultado de um acordo firmado entre os governos do Quênia e dos Estados Unidos, que tem provocado forte reação popular e levantado preocupações sobre possíveis riscos à saúde pública.
Os confrontos mais recentes ocorreram em Nairóbi, capital do país africano. Segundo a Comissão de Direitos Humanos do Quênia (KHRC), uma pessoa foi morta durante manifestação realizada nesta semana. Outras duas mortes já haviam sido registradas em protestos anteriores relacionados ao mesmo tema.
A proposta prevê a construção de uma unidade de bioisolamento na região de Laikipia, a cerca de 150 quilômetros de Nairóbi. O local teria capacidade inicial para 50 leitos, com possibilidade de ampliação para até 250 vagas.
O projeto surgiu em meio ao atual surto de ebola registrado na República Democrática do Congo e em Uganda. Embora o Quênia ainda não tenha confirmado casos da doença, a proximidade geográfica com os países afetados levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a classificar o território queniano como uma área de risco para disseminação do vírus.
A falta de transparência sobre os detalhes do acordo entre Washington e Nairóbi tem alimentado a insatisfação popular. Moradores e entidades da sociedade civil afirmam que não receberam informações suficientes sobre a localização exata da unidade, os protocolos de segurança e os impactos para as comunidades vizinhas.
Especialistas apontam que o temor da população está relacionado à possibilidade de o país se tornar um centro regional para recebimento de pessoas potencialmente infectadas, mesmo sem registrar casos da doença em seu território.
A repercussão levou o Tribunal Superior de Nairóbi a emitir uma decisão cautelar suspendendo temporariamente a instalação da estrutura. A ordem judicial também impede a entrada no país de pessoas infectadas ou expostas ao vírus no âmbito do acordo firmado com os Estados Unidos até que o caso seja analisado.
Em nota, a Embaixada dos Estados Unidos no Quênia afirmou que a unidade de bioisolamento faz parte de uma estratégia regional para conter a propagação da doença e garantir resposta rápida ao surto.
Segundo a representação diplomática, o centro não representa riscos para as comunidades próximas e integra um plano internacional de prevenção e controle epidemiológico.
O atual surto envolve a cepa Bundibugyo do vírus ebola, para a qual ainda não existe vacina ou tratamento específico amplamente disponível. Organismos internacionais classificam a situação como uma emergência de saúde pública.
Dados divulgados por autoridades sanitárias africanas apontam que, até 8 de junho, a República Democrática do Congo havia registrado 626 casos confirmados e 112 mortes relacionadas à doença. Em Uganda, foram confirmados 19 casos e duas mortes.
A União Africana e a Organização Mundial da Saúde trabalham em conjunto para conter o avanço da doença e evitar que novos países sejam afetados.
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