Brasil Infiltração
Operação prende ex-estagiário do MP e policiais suspeitos de ligação com o PCC e plano para matar promotor
Investigação do Gaeco aponta que grupo extorquia alvos da Justiça e repassava informações privilegiadas para a facção criminosa no interior de São Paulo.
09/06/2026 09h12 Atualizada há 5 dias
Por: Cleyber Carlos
Operação prende ex-estagiário do MP de SP, chefe de investigadores e ex-policial civil suspeitos de serem infiltrados do PCC — Foto: Divulgação

Uma operação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) desarticulou nesta terça-feira (9) um grupo suspeito de atuar como infiltrado do PCC nas forças de segurança. Foram presos um chefe de investigadores da Polícia Civil, um ex-policial e um ex-estagiário do próprio MP.

 

Os alvos estariam envolvidos em um plano para matar um promotor do Gaeco e em um esquema de extorsão. O foco da quadrilha era arrancar dinheiro de membros da própria facção em troca de informações privilegiadas.

 

A Operação Infiltrados cumpriu três mandados de prisão temporária e dez de busca e apreensão. As ações ocorreram em Campinas e Cardoso, no interior paulista, atingindo também um policial penal e um escritório de advocacia.

 

O flagrante em vídeo: O chefe de investigadores da Delegacia de Investigação sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas foi flagrado reunido com o homem escalado pelo PCC para executar o assassinato. O encontro aconteceu uma semana antes da operação que impediu o crime.

 

As investigações revelam que o ex-estagiário do MP, hoje advogado, se infiltrou propositalmente em uma Promotoria Criminal de Campinas. Ele usava os sistemas de segurança do Estado para rastrear criminosos de alto poder aquisitivo.

 

Com o apoio dos agentes de segurança envolvidos, o grupo passava a cobrar por proteção. No celular de um empresário ligado ao PCC e preso no ano passado, o Gaeco encontrou uma exigência de R$ 500 mil para abafar relatórios de investigação.

 

O ex-policial civil detido na operação já havia sido expulso da corporação anos atrás pelo crime de extorsão mediante sequestro.

 

O Ministério Público agora foca em descobrir se os criminosos extorquidos chegaram a pagar os valores exigidos. Em nota, o MP declarou que a ação demonstra o esforço conjunto das polícias para a "depuração de seus quadros".

 

Histórico de operações

A investida desta terça-feira é um desdobramento direto de duas grandes ofensivas recentes do Gaeco contra o crime organizado: