Uma operação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) desarticulou nesta terça-feira (9) um grupo suspeito de atuar como infiltrado do PCC nas forças de segurança. Foram presos um chefe de investigadores da Polícia Civil, um ex-policial e um ex-estagiário do próprio MP.
Os alvos estariam envolvidos em um plano para matar um promotor do Gaeco e em um esquema de extorsão. O foco da quadrilha era arrancar dinheiro de membros da própria facção em troca de informações privilegiadas.
A Operação Infiltrados cumpriu três mandados de prisão temporária e dez de busca e apreensão. As ações ocorreram em Campinas e Cardoso, no interior paulista, atingindo também um policial penal e um escritório de advocacia.
O flagrante em vídeo: O chefe de investigadores da Delegacia de Investigação sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas foi flagrado reunido com o homem escalado pelo PCC para executar o assassinato. O encontro aconteceu uma semana antes da operação que impediu o crime.
As investigações revelam que o ex-estagiário do MP, hoje advogado, se infiltrou propositalmente em uma Promotoria Criminal de Campinas. Ele usava os sistemas de segurança do Estado para rastrear criminosos de alto poder aquisitivo.
Com o apoio dos agentes de segurança envolvidos, o grupo passava a cobrar por proteção. No celular de um empresário ligado ao PCC e preso no ano passado, o Gaeco encontrou uma exigência de R$ 500 mil para abafar relatórios de investigação.
O ex-policial civil detido na operação já havia sido expulso da corporação anos atrás pelo crime de extorsão mediante sequestro.
O Ministério Público agora foca em descobrir se os criminosos extorquidos chegaram a pagar os valores exigidos. Em nota, o MP declarou que a ação demonstra o esforço conjunto das polícias para a "depuração de seus quadros".
Histórico de operações
A investida desta terça-feira é um desdobramento direto de duas grandes ofensivas recentes do Gaeco contra o crime organizado:
Operação Off White (Outubro de 2025): Desmantelou o esquema de lavagem de dinheiro de traficantes procurados no Brasil, atingindo Sérgio Luiz de Freitas, o "Mijão", apontado como um dos chefes do PCC em liberdade.