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Cão celebridade com milhões de seguidores é roubado e vendido para restaurante na China
O border collie Chutou, que viajava pelo país com o tutor, foi levado por um casal na província de Henan e abatido por cerca de R$ 130.
08/06/2026 13h47
Por: Cleyber Carlos
Reprodução/Douyin

Um cachorro da raça border collie que acumulava mais de 1,5 milhão de seguidores nas redes sociais foi roubado e morto para servir de alimento em um restaurante na China. O animal, chamado Chutou, foi vendido a um estabelecimento comercial na província de Henan por 180 yuans, o equivalente a cerca de R$ 130 na cotação atual.

Por quase nove anos, o cão acompanhou o tutor, identificado apenas como Guo, em viagens por desertos e montanhas do território chinês. As aventuras eram compartilhadas em um canal próprio no Douyin, plataforma semelhante ao TikTok no país asiático.

O crime aconteceu em maio, enquanto o tutor realizava uma viagem ao exterior. Chutou havia ficado sob os cuidados dos pais de Guo. Na manhã do desaparecimento, o pai do tutor trabalhava no campo enquanto o animal aguardava próximo ao veículo da família, à beira de uma estrada.

Investigação e buscas

Câmeras de segurança da região registraram o momento em que um casal, a bordo de uma scooter elétrica, recolheu o border collie à força. O animal usava coleira e um dispositivo de rastreamento no momento do furto, elementos que foram ignorados pelos suspeitos.

Ao ser informado sobre o sumiço do cão, Guo interrompeu os compromissos fora do país e retornou à China para conduzir buscas por conta própria. Após percorrer vilarejos locais, analisar circuitos de monitoramento e colher depoimentos de moradores, o tutor conseguiu localizar o comerciante que adquiriu o animal. Na abordagem, foi informado de que o cachorro já havia sido abatido e comercializado pelo restaurante.

A polícia local assumiu as investigações e confirmou que o abate ocorreu três dias após o roubo. Em depoimento, os suspeitos do furto alegaram que acreditaram se tratar de um animal abandonado, versão que foi contestada pelas autoridades com base nas imagens das câmeras de vigilância.

Brecha na legislação

O episódio reacendeu as discussões sobre a legislação de proteção animal na China. Embora o país registre um crescimento expressivo no mercado de animais de estimação, o código jurídico nacional ainda carece de leis específicas para a salvaguarda de animais domésticos.

Atualmente, cães e gatos são classificados legalmente como propriedades. Na prática, casos de furto ou morte de pets costumam ser convertidos em disputas cíveis voltadas para indenizações financeiras, sem considerar o valor afetivo.

Em 2020, o Ministério da Agricultura do país retirou os cães da lista de animais de criação, recomendando que fossem tratados como companheiros. Municípios como Shenzhen e Xangai também decretaram a proibição do consumo dessa carne. Apesar das restrições locais, o comércio informal persiste em áreas rurais e de interior, frequentemente abastecido por animais furtados.