Uma declaração do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) sobre o Pix e sistemas de pagamento dos Estados Unidos ganhou ampla repercussão nas redes sociais nesta quinta-feira (4). O parlamentar sugeriu que o Brasil poderia utilizar mecanismos financeiros semelhantes aos existentes no mercado americano como argumento em negociações com o governo dos Estados Unidos.
A fala foi feita em um vídeo divulgado nas redes sociais e ocorre em meio ao debate sobre as novas tarifas anunciadas pelo governo do presidente Donald Trump sobre produtos brasileiros exportados para o mercado americano.
“Os Estados Unidos têm mecanismos muito semelhantes ao Pix, como, por exemplo, o Zelle. Dá para você ir para uma mesa de negociação com os americanos”, afirmou o deputado.
A declaração rapidamente repercutiu na plataforma X (antigo Twitter), onde o nome de Eduardo Bolsonaro figurou entre os assuntos mais comentados do país. Críticos do parlamentar passaram a compartilhar o vídeo e associaram a fala a uma possível defesa de interesses americanos em detrimento do sistema brasileiro de pagamentos.
O debate ganhou força após o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) incluir o Pix em um documento que questiona práticas adotadas pelo Banco Central brasileiro. Segundo o órgão americano, o fato de o Banco Central atuar simultaneamente como regulador e operador do sistema poderia representar uma desvantagem competitiva para empresas privadas do setor financeiro.
A reação do governo brasileiro foi imediata. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou duramente integrantes da família Bolsonaro e afirmou que medidas adotadas pelos Estados Unidos prejudicam empresas, trabalhadores e setores produtivos brasileiros.
A discussão também mobilizou instituições financeiras. Em nota, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) saiu em defesa do Pix, destacando que o sistema não é um produto comercial, mas uma infraestrutura pública de pagamentos criada para ampliar a concorrência e facilitar transações financeiras.
“O Pix é uma infraestrutura de pagamento, e não um produto comercial. Trata-se de um modelo aberto e não discriminatório, com participação de bancos, fintechs e instituições financeiras nacionais e estrangeiras”, afirmou a entidade.
Criado pelo Banco Central em 2020, o Pix se tornou o principal meio de pagamento do país e movimenta bilhões de reais diariamente. O sistema permite transferências instantâneas, gratuitas para pessoas físicas e disponíveis 24 horas por dia.
Enquanto o debate político se intensifica, especialistas avaliam que a discussão envolvendo o Pix extrapola a questão tecnológica e passa a integrar as negociações comerciais e diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos.
Assista o video