Cidades HISTÓRIA
Câmara aprova em primeira votação criação do Museu do Césio-137
O projeto prevê a criação de um espaço destinado à preservação da memória do acidente radiológico ocorrido em Goiânia em setembro de 1987
03/06/2026 16h27
Por: Lorena Lázaro
Imagem de divulgação do Documentário Emergência Radiotiva produzido pela Netiflix resgata a trágica história que aconteceu em Goiânia em 1987

A Câmara Municipal de Goiânia aprovou, em primeira discussão e votação nesta quarta-feira (3), o projeto de lei que cria o Museu e Memorial do Césio-137 na capital. A proposta, de autoria do vereador Lucas Kitão (Mobiliza), recebeu aprovação unânime dos parlamentares presentes e ainda precisará passar por nova votação antes de seguir para sanção do Executivo.

O projeto prevê a criação de um espaço destinado à preservação da memória do acidente radiológico ocorrido em Goiânia em setembro de 1987, considerado o maior já registrado fora de uma usina nuclear. A proposta não define um endereço específico para a instalação do memorial, cabendo ao Poder Executivo escolher a área onde o equipamento cultural será implantado.

O acidente aconteceu após o manuseio indevido de um aparelho de radioterapia abandonado nas instalações do antigo Instituto Goiano de Radioterapia. A cápsula contendo Césio-137 foi levada para um ferro-velho na região central da capital, provocando a contaminação de centenas de pessoas. Quatro vítimas morreram em decorrência da exposição direta à substância radioativa e mais de mil pessoas foram afetadas direta ou indiretamente.

Segundo Lucas Kitão, a proposta busca preservar a memória das vítimas, reconhecer o trabalho dos profissionais que atuaram no atendimento à população e transformar o episódio em um instrumento permanente de educação e conscientização.

“A cidade de Goiânia tem em sua história o maior acidente radiológico do mundo. O episódio deixou um legado de dor, estigmatização e desinformação, mas também revelou a solidariedade de profissionais de saúde, bombeiros, militares e cidadãos que atuaram heroicamente no socorro às vítimas”, justificou o vereador.

Caso seja implantado, o memorial deverá contar com áreas de exposição, espaço de convivência e ambientes voltados para atividades educativas, recebendo estudantes, pesquisadores e visitantes interessados em conhecer a história do acidente e seus impactos sociais.

Atualmente, o principal espaço relacionado à preservação da memória do Césio-137 está localizado em Abadia de Goiás, onde foram armazenadas mais de 6 mil toneladas de rejeitos radioativos recolhidos após a descontaminação da capital. O local abriga o Centro Regional de Ciências Nucleares do Centro-Oeste (CRCN-CO), vinculado à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN).

O autor do projeto também argumenta que Goiânia ainda não possui um espaço oficial dedicado à memória do acidente, apesar da relevância histórica do episódio para a cidade e para o país. Como exemplo, ele cita o Museu e Memorial do World Trade Center, em Nova York, criado para preservar a memória das vítimas dos atentados de 11 de setembro de 2001.

Esta é a segunda tentativa de criação de um equipamento público com essa finalidade na capital. Em 2011, uma proposta semelhante apresentada pelo então vereador Túlio Maravilha chegou a tramitar na Câmara, mas acabou arquivada sem avançar.

Antes de se tornar lei, o projeto ainda será analisado pelas comissões temáticas da Câmara Municipal e submetido a uma segunda votação em plenário.