A cirurgiã-dentista Valéria Martins Ribeiro, investigada por supostamente realizar procedimentos estéticos irregulares que teriam causado sequelas permanentes em pacientes, deixou a prisão e passará a responder às investigações em liberdade provisória. A decisão judicial determinou a substituição da prisão preventiva por medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica e o recolhimento domiciliar no período noturno.
Valéria foi presa durante a Operação Protocolo de Risco, deflagrada pela Polícia Civil de Goiás com apoio da Vigilância Sanitária. As investigações apontam que a profissional realizava procedimentos cirúrgicos considerados incompatíveis com sua habilitação odontológica em uma clínica localizada no Setor Bueno, em Goiânia.
Segundo a Polícia Civil, pacientes denunciaram complicações graves após as intervenções. Entre os problemas relatados estão infecções, deformidades, fibroses, necroses, cicatrizes permanentes e outras sequelas físicas e psicológicas. O número de denúncias formalizadas chegou a 11.
De acordo com os investigadores, a dentista realizava procedimentos como rinoplastia, blefaroplastia, bichectomia e lipoaspiração de papada, além de outras intervenções cirúrgicas faciais. A polícia sustenta que parte desses procedimentos era executada sem a habilitação necessária e em ambiente inadequado para cirurgias de maior complexidade.
As apurações também apontam possíveis falhas na esterilização dos materiais utilizados, ausência de acompanhamento anestésico adequado e indícios de exercício ilegal da medicina. Segundo a investigação, alguns procedimentos chegavam a durar mais de 12 horas.
Outro fato que chamou a atenção dos investigadores foi a existência de vídeos nos quais a profissional teria solicitado orientações durante a realização de um procedimento cirúrgico enquanto a paciente ainda estava anestesiada. O material passou a integrar o inquérito policial.
Durante a operação, a Vigilância Sanitária interditou a clínica vinculada à empresa Valéria Martins Ribeiro Ltda., registrada como atividade odontológica no Setor Bueno. Também foram apreendidos documentos, prontuários, equipamentos e aparelhos eletrônicos para análise pericial.
Nas redes sociais, a profissional se apresentava como especialista em harmonização facial e afirmava ser referência em procedimentos de lipo de papada, acumulando mais de 70 mil seguidores.
O Conselho Regional de Odontologia de Goiás (CRO-GO) informou que acompanha o caso e confirmou que a profissional possui registro ativo no órgão. O conselho também destacou que instaurou procedimento administrativo interno para apurar eventuais infrações éticas, processo que corre sob sigilo.
O CRO-GO esclareceu ainda que dentistas podem realizar determinados procedimentos de harmonização orofacial, como aplicação de toxina botulínica e preenchimentos faciais, desde que observadas as normas e os limites de atuação previstos pela regulamentação profissional.
Até as publicações mais recentes sobre o caso, não havia posicionamento público detalhado da defesa sobre as acusações investigadas. O inquérito segue em andamento e a dentista permanece sob investigação.
Fonte: Poliícia Civil